Teatro Municipal do Porto

27 Sex 23.00h

Niño de Elche

Colombiana Espanha

RIVOLI Café

Música
O flamenco é sempre um canto de ida e volta. 
Esta expressão espanhola refere-se a uma seleção específica do cancioneiro flamenco que “regressou” da América Latina (sobretudo de Cuba), quando as tradições musicais espanholas e os ritmos trazidos por escravos africanos e nativos americanos se transformaram em novas formas, as quais foram reintroduzidas em Espanha com uma estrutura rítmica diferente e características mais suaves do que o flamenco tradicional. Não apenas guajiras ou milongas, mas também a soleá e a seguiriya, romances, cabales, peteneras e pregones no vasto Caribe afro-andaluz. E o fandango, naturalmente. Esta viagem de ida e volta é a mesma do açúcar, café, cacau e rum de cana, mas foi interrompida entre 1810 e 1898 e a música flamenca voltou a ser o que era antes. Com este novo álbum, “Colombiana”, Niño de Elche procura dar continuidade a essa relação que era tão fluida, tão frutífera, tão florescente. Apesar de, desta feita, não se tratar de arqueologia, mas antes de antecipação: aqui encontramos o flamenco que vem a caminho. O flamenco do futuro está ao virar da esquina. Desde os seus primeiros álbuns (“Strates”, “Sí, a Miguel Hernández” e “Voces del Extremo”), o reconhecimento do autodenominado ex-flamenco validou projetos transgressores como o seu último álbum, “Antología del Cante Flamenco Heterodoxo” (Sony, 2008). Niño de Elche conseguiu igualmente juntar forças com numerosos artistas oriundos de diversos géneros e disciplinas, tais como a banda de rock instrumental Toundra, com quem tem o projeto de colaboração Exquirla, o bailarino de flamenco Israel Galván, com quem criou o espetáculo transdisciplinar “Coplas Mecánicas”, ou a banda do sul de Espanha Los Planetas, com quem partilha o novo projeto Fuerza Nueva. 
 
 
Niño de Elche (voz)
Raúl Cantizano (guitarras)
Susana Hernández (Ylia)
(sintetizadores e eletrónica)
Victor Martínez (percussão)